sexta-feira, 8 de abril de 2011

O soldado (parte III)

Foi como trair a mim mesma, meus princípios. A pessoa a quem amava estava ali, e eu beijando outra pessoa. Era muito contraditório pra mim. Mas sempre fui muito dona de mim para me permitir sentir humilhada pelo fato de estar sendo “rejeitada”. Era bom, mas em muitos momentos, eu via o soldado na minha frente e não seu irmão. Era horrível. Eu estava perdida, ao mesmo tempo ele era muito gentil, me apresentou à toda família, coisa que o outro não se preocupou em fazer.

Pegou meu telefone, me convidou para visitá-lo e aquela coisa toda. No fim da festa, nos despedimos, o soldado nem sequer se despediu de mim, e continuei sem entender nada. Minha irmã que ficou na festa o tempo todo disse que ele não largou a ex por um minuto.

Fomos pra casa e começamos a repassar aquela noite. Ninguém conseguiu tirar uma conclusão e eu estava arrasada. No dia seguinte minha amiga foi embora e restava eu e minha irmã em casa. Começamos a conversar e eu comecei a chorar, como há muito tempo não fazia. Era um choro de saudade, de incerteza, de ego ferido, coração partido. Eu não queria passar pela humilhação de contar a ele o que eu sentia, pois sempre achei que era recíproco. Minha irmã então contou que a única maneira de me libertar de vez desse “mal” seria conversar com ele e contar a verdade e eu não podia esperar mais, eu estava em desespero. Como nas outras vezes, seria via internet, porque nunca conversamos francamente pessoalmente, nunca houve essa oportunidade.

Entrei no messenger, ele estava online. Era a hora, sabia que tinha que falar com ele. Chamei-o, perguntei o que achou da festa e ele disse que havia saído como esperado. Foi então que falei que precisava confessar uma coisa a ele e me deu abertura. Tinha tanta coisa pra falar, tanta coisa que queria compartilhar com ele, mas minhas mãos não digitavam, estava travada, meus pensamentos se confundiam e eu não conseguia pensar em nada concreto. Minha irmã então, ofereceu-se para escrever, já que sabia de tudo e pra ela não seria difícil. Deixei o notebook em suas mãos e deitei na cama.

Ela disse tudo que precisava, tudo o que aconteceu, tudo o que sentia, contou meus sentimentos mais profundos e nunca revelados por mim. Quando ele finalmente conseguiu falar alguma coisa, vi que toda e qualquer esperança havia ido ladeira abaixo. Fez pouso caso e disse que nunca percebeu que eu gostava dele, e que soube que eu havia ficado com um rapaz na noite anterior. (notícias correm rápido por aqui). Confessou que só havia me convidado para a formatura, pelo fato de “estar com medo que só desse homens e queria o máximo de mulheres presentes”. Foi a frase mais machista que havia ouvido nos últimos tempos. Como não tinha enxergado isso antes? Ele não ME queria na festa, ele queria MULHERES na festa.

Então disse à ele que eu deveria esquecê-lo e me afastaria dele, para que pudesse esquecer. (Com a última esperança de que ele dissesse que não, que não precisaria daquilo). Porém ele disse: “Você que sabe!” Disse que “só queria amizade comigo e que se eu precisasse me afastar, tudo bem, torceria para que eu encontrasse alguém que gostasse de mim”. Acho que nunca me senti tão vazia. Um buraco se abria dentro de mim e eu não sei o que sentia na hora. Tratei de excluí-lo do messenger para nunca mais nem ver seu nome ali. Minha irmã então me aconselhou a realmente esquecê-lo por que dali, não sairia mais nada. Eu estava convencida que era isso que deveria fazer.

Depois de um tempo, vi que realmente não valia a pena sofrer por ele, mas ainda me sentia humilhada, pois abri meu coração pra alguém que não deu seu devido valor. Gostei de alguém ao qual não se importava com o que eu estava sentindo. Duas semanas se passaram, até a hora da volta por cima.

Um novo bar abriria aqui na cidade e fomos eu, minha irmã e algumas amigas na inauguração. Tudo muito legal, até... o avistá-lo. Confesso que meu coração disparou, não sabia o que fazer. Ele havia me visto, e passamos um ao lado do outro, mas ninguém se olhou. Subimos ao segundo andar do local, onde havia Dj e estávamos nos divertindo, a não ser, pelo fato dele ter subido também e parado ao nosso lado. Procurei não olhar pra ele, mas era quase inevitável, pois ele passava o tempo todo do meu lado, sempre acompanhado pelos amigos. A presença dele estava me incomodando, ele chegou a parar ATRÁS de mim, e encostou-se em mim de leve. Mudei de lugar com minha amiga e ele olhou para trás. Era perceptível que ele queria chamar minha atenção. Agora me digam: POR QUÊ?

Ele não vinha falar comigo, apenas ficava ali perto. Esperando pelo que? Que eu fosse falar com ele? Já não bastava ter me dispensado e brincado com meus sentimentos? Foi assim durante uma hora mais ou menos. Até que...

Ele havia desaparecido, eu e minha irmã fomos buscar uma cerveja no bar, minhas amigas nos avistavam de longe, e notaram que ele subiu sozinho e olhou para os lados, segundo elas, me procurando. Ele foi em direção à elas, mas eu não estava ali, foi quando ele entrou na fila do bar logo atrás de nós. Após comprarmos o ticket da bebida, fomos para o lado para retirar, foi nesse momento, nesse momento... que tive de ser forte, era a hora, ou eu superava a mim e a meus sentimentos, ou eu me rendia.

Senti três toques em minhas costas... Olhei apenas por cima do ombro, e vi, era ELE querendo falar comigo. Arrependimento? Acredito que não, no máximo queria brincar ainda mais comigo, para ter alguém por mais uma noite, estava ciente disso. Virei a cabeça para frente, não queria olhar pra ele. Falei com a minha irmã sobre ele estar tocando em mim e ela riu. Novamente ele tocou em mim e dessa vez eu nem olhei. Persistente, ele toca mais uma vez em meu ombro e aí foi decisivo, saí do local sem sequer olhar pra trás. O deixei lá, que segundo as meninas, com a maior cara de taxo, sem entender nada. Ele estava enganado se esperava que eu fosse apenas mais uma garota apaixonada. Ainda disseram que ele falava comigo, mas a música era muito alta, não ouvi nada. Depois ainda ele mandou um amiguinho vir falar comigo, não sei o que queria, sei apenas que fui certeira e disse pra ele se afastar de mim. Minha cara de braba nem fez ele insistir...

Senti-me muito bem! Apesar de no fundo querer virar e falar com ele naquele momento, lembrei de tudo que ele havia me feito passar e vi que ele não merecia nem o meu olhar de desprezo. Essa é a lição que tirei disso tudo. Muitas vezes tentamos dar uma segunda chance, como a nossa Super Diva o fez, e se machucou DUAS VEZES pelo mesmo motivo. Devemos nos dar valor e ver que se eles não nos respeitaram uma vez, não é na segunda ou terceira que irão respeitar. Eles vão nos enganar, sempre que quiserem algo, porque eles sabem como fazer isso.

E quem está curiosa em como ficou minha história com o irmão dele, ainda nos falamos, ele é super atencioso, mas assim como o irmão, não presta. No momento está namorando e fica se insinuando para mim. Essa é outra lição meninas, NÃO SE ENVOLVAM COM HOMENS COMPROMETIDOS. Por mais que eles sintam atração por você, se você se sujeitar a ficar com ele namorando, eles vão saber manipulá-las para as terem sempre que quiserem.

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Sem mais para o momento. Beijos, Phyna Diva.

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